Ontologias

Outubro 20, 2007

Piano, piano… conversemos sobre ontologias

Filed under: Perspectivas — alexandre sousa @ 7:59 am
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Podemos adoptar uma postura toda científica e depositar no nosso blogue, pilhas, resmas e calhamaços de sabedoria. No fundo do fundo, é a prática de qualquer pessoa que se reclama pertencer à «ciência»; usa dados, informação, conhecimento privilegiado, partilhando esses objectos com maior ou menor profundidade e diâmetro de abertura com a sua rede privada ou nalguns casos com um espaço de comunicação mais ou menos público.

Outra alternativa possível e acessível a essa pessoa, é a de ir pensando em voz alta, dizendo das suas dúvidas e construindo cada vez mais certezas acerca daquilo que a inquieta.

Após uma viagem, que nem precisa ser muito longa, percebe-se que existe mais do que um modo de ver as ontologias.

Dissemos – alguns de nós – que na perspectiva da Filosofia, existe um domínio do conhecimento considerado como objecto central da metafísica que é a ontologia.

Abreviadamente, sem prejuízo de outros estenderem o que deve ser estendido, a metafísica é a ciência das razões das coisas. Porque reconhecemos a incapacidade (?!) de passar a metafísica a fórmulas, às vezes quem pertence a outras artes & ciências, pode refugiar-se em Kant que reduz a metafísica à critica do conhecimento: “…o inventário sistematicamente ordenado de tudo o que nós desfrutamos como razão pura “.

Pelo meu lado, tenho andado a explorar Russell, Kripke,…

E digo abertamente porquê: – Eu gostava (?!) que a ontologia vista numa perspectiva filosófica se perfilasse, ou seja, eu queria que me indicassem o porquê de se investigar a ontologia, se este porquê é mais prático ou mais teórico (Russell foi sempre contra este «lado prático»), mais antropocêntrico que ontocêntrico e, por maioria de razão, que cosmocêntrico.

Recuperemos um texto sintético que está algures na Wiki sob a entrada “Metasyntactic variable”:

«O termo ontologia tem a sua origem na filosofia, onde é nome de um ramo fundamental da metafísica, dedicada à análise de vários tipos ou modalidades da existência, com atenção especial às relações entre o ‘particular’ e o ‘universal’, entre propriedades intrínsecas e extrínsecas, e entre a essência e a existência. De acordo com Tom Gruber (Stanford University), o significado de ontologia no contexto das ciências da computação é “uma descrição dos conceitos e dos relacionamentos que podem existir para um agente ou para uma comunidade de agentes.”

Especificando melhor, uma ontologia está descrita geralmente, “como um catálogo das definições do vocabulário formal.”

O que tem a ontologia que seja comum na computação e na filosofia? é a representação das entidades, ideias, e eventos, juntamente com as suas propriedades e relações, de acordo com um sistema de categorias. Em ambos os campos, encontramos trabalho considerável nos problemas da relatividade ontológica: por exemplo Kripke na filosofia; Sowa nas ciências da computação.

A linha principal da ontologia no sentido filosófico é o estudo das entidades e das suas relações. A questão colocada pela ontologia é: Que tipos de coisas existem ou podem existir no mundo, e que relações podem aquelas coisas ter umas com as outras? Ontologia é menos «o que é» e mais «o que é possível».

As comunidades ‘Artificial Intelligence’ e ‘Knowledge Management’ têm a sua definição numa perspectiva prática: examinaram o termo “ontologia” e aplicaram-no directamente ao seu problema. Para essas comunidades, o sentido de ontologia é algo como “uma especificação explícita de uma conceptualização.”

Voltemos a Tom Gruber… «Short answer:
An ontology is a specification of a conceptualization.
The word “ontology” seems to generate a lot of controversy in discussions about AI. It has a long history in philosophy, in which it refers to the subject of existence. It is also often confused with epistemology, which is about knowledge and knowing.
In the context of knowledge sharing, I use the term ontology to mean a specification of a conceptualization. That is, an ontology is a description (like a formal specification of a program) of the concepts and relationships that can exist for an agent or a community of agents. This definition is consistent with the usage of ontology as set-of-concept-definitions, but more general. And it is certainly a different sense of the word than its use in philosophy.
What is important is what an ontology is for. My colleagues and I have been designing ontologies for the purpose of enabling knowledge sharing and reuse. In that context, an ontology is a specification used for making ontological commitments. The formal definition of ontological commitment is given below. For pragmatic reasons, we choose to write an ontology as a set of definitions of formal vocabulary. Although this isn’t the only way to specify a conceptualization, it has some nice properties for knowledge sharing among AI software (e.g., semantics independent of reader and context). Practically, an ontological commitment is an agreement to use a vocabulary (i.e., ask queries and make assertions) in a way that is consistent (but not complete) with respect to the theory specified by an ontology. We build agents that commit to ontologies. We design ontologies so we can share knowledge with and among these agents. »

O amador (sou eu) persegue uma tentativa de encontrar uma linha comum entre a perspectiva de ontologia com raiz filosófica e os outros modos de ver agrupados na ciência cognitiva e na computação: -Num domínio particular, que espécie de coisas podemos nós dizer que existem nesse domínio, e como podemos nós dizer: aquelas coisas relacionam-se umas com as outras?
O outro par de termos que eu preciso definir é categorização e classificação. São o acto de organizar uma colecção de entidades, sejam coisas ou conceitos, em grupos relacionados entre si. Embora hajam algumas distinções ‘field-by-field’, os termos usados maioritariamente são permutáveis.
Depois, há a classificação ou categorização ontológica, através da qual organizamos um conjunto de entidades em grupos, com base nas suas essências e relações possíveis. Um catálogo da biblioteca, por exemplo, supõe que para todo o livro novo, existe já o seu lugar lógico dentro do sistema, mesmo antes que o livro esteja publicado. Esta estratégia de projectar categorias para cobrir casos possíveis é avançada inicialmente e é aquilo que me preocupa, primeiro porque é extensamente mal aplicada e depois porque tem sido sobrevalorizada nas ciências da computação.

Agora, qualquer um que encara a categorização como modo de vida dirá que nunca teremos um sistema perfeito.

No trabalho cujo objecto é sistemas de classificação, o sucesso não está em “conseguiremos o arranjo ideal?” mas sim “quão próximo nós chegamos, e em que medida?”

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2 comentários »

  1. Conheço a ideia de «conversemos» 🙂 … E mais quando o desafio é estimulante, intelectualmente interrogativo e as saídas não forem vislumbráveis. É que é particularmente desafiador procurar estratégias de resolução de problemas. Ademais, amadores somos todos. Continuemos, portanto.

    Comentar por LN — Outubro 21, 2007 @ 1:00 pm | Responder


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