Ontologias

Outubro 24, 2007

Oferenda a Hermes

Filed under: Leituras & Reflexões — LN @ 10:06 pm

Salvador Dali, Hermes

A representação do conhecimento é um assunto multidisciplinar que aplica teorias e técnicas de outros três campos:

1 – Lógica proporciona a estrutura formal e as regras de inferência.

2 – Ontologia define os tipos de coisas que existem no domínio da aplicação.

3 – Computação apoia as aplicações que distinguem a representação do conhecimento da filosofia pura.

Parto desta «arrumação» – de um post abaixo…. Na lógica da representação do conhecimento, note-se. Recorro a outros para circunstanciar: Guarino (1997) definiu ontologia como uma caracterização axiomática do significado do vocabulário lógico, e, para Sowa e Dietz (1999), define os tipos de coisas que existem no domínio de uma aplicação.

Entende-se, assim, que possam ser classificadas, e sem pretender senão (in)formar-me,poderia seguir Uschold (1996), que divide as ontologias quanto ao tipo de conhecimento que representam:

a) Ontologia de domínio: conceptualizações de domínios particulares;

b) Ontologia de tarefas: conceptualizações sobre a resolução de problemas independentemente do domínio onde ocorram;

c) Ontologia de representação: conceptualizações que fundamentam os formalismos de representação do conhecimento.

Até aqui, em aceitando a aplicação, até que caminha…

Não me incomoda, como já afirmei, que se dêem outros e novos usos às palavras – pese embora que a ontologia, pela filiação ao Ser, me tivesse parecido, logo à partida, um tanto questionável. A ontologia – como conhecimento das concepções sobre a natureza do ser – trazida para outras áreas…até pode ser um uso analógico, diria. Repego uma ponta em que já peguei: o que «existe», «é», pode ser representado. Tratar-se-á, portanto, de re-representar o que existe. Uma espécie de compromisso ôntico? ontológico? aceitável, penso eu. Se entender «ontologias» como descrição formal de conceitos num domínio do discurso, relativo às propriedades de cada conceito – na linha das características e atributos, da classificação das coisas existentes -, uma ontologia constitui-se como base de conhecimento.

Ah, mas… Agora, penso… Base do conhecimento faz aportar à epistemologia. Ou a um modo de ver (entender) o conhecimento – que filosofia do conhecimento é supra-ciência por isso mesmo. O conhecimento é libertador, como é sabido – do mundo e de Si; por exemplo, conhecer a causa das nossas acções, capacita(nos) para trans-formar, para modificar. Para transmutar, como na alquimia. Por isso se liga à ética (pois, eu tinha de lá ir dar…), de um modo semelhante a como se liga à política.

Projecto nas coisas a vontade de as compreender, de as conhecer e de legislar sobre elas, de determinar a(s) finalidade(s). E já me afasto para a interpretação, a hermenêutica portanto. Criadora de sentido. Interrogo-me sobre os modos como a classificação (de conceitos, de objectos…) pode ser suficiente para compreender uma atitude hermenêutica (que aprofunde o conhecimento das relações e das ligações).

Em síntese meditativa, poderemos juntar a Hermenêutica à tríade?! ou não faz sentido? Voltarei à hermenêutica, portanto…

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1 Comentário »

  1. […] é certo que, aquando da minha atirada para cima da mesa da homenagem a Hermes, AS […]

    Pingback por de ontologias… em cinco pontos, dedilhado intermezzo « Conversamos?!… — Novembro 18, 2007 @ 4:25 pm | Responder


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