Ontologias

Outubro 28, 2007

Propostas sobre propósitos

Filed under: Perspectivas — alexandre sousa @ 4:13 pm

  Enquanto a minha máquina principal está hoje sob comando quase total da Computação, que é uma Deusa à imagem das Outras, tal qual tem estado nos últimos cinco dias, eu espero ardentemente que ao sétimo dia se faça Luz. 

LN deixou-nos um desafio difícil de digerir. Por um lado porque salta uma das regras deste tipo de gente que por aqui anda e que é, em palavras simples:– Não mexas muito que pode quebrar…

Por outro, coloca mais uma peça no tabuleiro já de si complexo: 8 x 8, acrescido de 16 regras básicas, o que pode levar até 10 elevado a 123 movimentos possíveis.

Aquilo que nós pensávamos poder ser lidado por gente de 3 campos: lógica, ontologia, computação, vê-se a braços com a provocação proveniente da Hermenêutica. Antes desta, temos um fio condutor e aglutinador que é o conhecimento. Pacífico! 

Como se diz por aí, a filosofia não pode (deve) dar cobertura às nossas ideias preferidas, gostosas e acarinhadas, uma vez que somos tentados a não as avaliarmos cuidadosamente. Pelo contrário, a filosofia impõe que façamos a respectiva avaliação critica das nossas ideias — todas — pondo em causa os lugares-comuns que sorvemos a largos golos, a bem da paz e da tranquilidade da raça.

A filosofia e o seu método obrigam-me a formular questões antes de dizer a LN que chove torrencialmente e que está um dia maravilhoso para andar no areal da Praia de Francelos. LN e o seu método provocam-me de maneira salgada e perguntam-me qual é exactamente o problema de trazer a hermenêutica para o quadro que esboçamos? E o que é exactamente ser adepto da hermenêutica?

Para já, Hermes tinha o dom da ubiquidade, o que agrada sobremaneira ao povo computacional, depois era portador da boa sorte, patrono dos oradores, escritores, atletas, mercadores, ladrões e outros predestinados. Gosto de ver Hermes no seu papel de Deus da Mudança, sandálias aladas e a lira sempre disponível. Definitivamente, Hermes não me assombra a casa, nem a mesa, nem a cama, nem a roupa. Muito menos a máquina pensante. Depois, esta minha cabeça confusionista, volta não volta vai buscar o teorema de Gödel e a questão da incompletabilidade. Direis vós: lá está ele a encher balões e agora dá-lhe com Gödel para desviar as atenções. Não é nada disso, posso não saber muito destas coisas com que andamos entretidos, menos ainda terei capacidade suficiente para explicar as enredadas linhas do meu pensamento, mas o diabo é que eu dei por verdadeira a proposta de Gödel quando ele diz que um sistema lógico não pode bastar (por si só) à sua própria justificação ou validação. Isto não quer dizer que não se possa analisar uma questão com base naquilo que assumimos como saber adquirido, antes significa que o número de novas questões para as quais, respostas terão de ser encontradas é de facto enorme (infinito, diz Gödel…).

A ciência contemporânea contraiu uma dívida elevada para com os discípulos de Hermes, pela sua permanente inquietação, pela transmutação dos elementos, pelas teorias da energia e da relatividade. Está aberta a porta a Hermes! Mas também a outros Deuses e Deusas, sobretudo aos que sabem e conseguem raciocinar perante factos observáveis. Faça-se ainda uma última ressalva: não acredito que a Pedra Filosofal me permita entrar desta vida na eternidade dos BemAventurados.

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