Ontologias

Novembro 16, 2007

Ontologias servem para quê?

Filed under: Perspectivas — alexandre sousa @ 9:37 pm

Chegou a haver um projecto inicial que apontava para a construção de uma única ontologia, mesmo sendo uma ontologia de alto nível, ao mesmo tempo não-trivial e embora aprovado por um largo sector de diferentes comunidades dos sistemas de informação, esse projecto tem vindo a ser abandonado. As razões para isso podem ser resumidas de um modo que a seguir se expõe.

A tarefa de construir ontologias revelou-se muito mais difícil do que inicialmente tinha sido previsto. Notável, é perceber que as dificuldades encontradas são – pelo menos em parte – idênticas àquelas com que se defrontaram os filósofos ontologistas à 2000 anos atrás. Por outro lado, os sistemas de informação próprios do mundo actual estão sujeitos a curto tempo de vida de acordo com os horizontes temporais do ambiente comercial. Isso significa, que os requisitos que se colocam aos sistemas de informação sob a forma de uma rápida taxa de substituição, nunca foram compatíveis com a construção do correspondente ontológico. Os módulos de tradução e interpretação nunca foram capazes de acompanhar o ritmo.O trabalho em ontologias, em termos de sistemas de informação a nível mundial continua a florescer, e a principal razão para isso reside no facto de que a sua concentração sobre a classificação (análise dos tipos de objectos) e em torno das restrições sobre taxonomias admissíveis revelou-se útil em formas que não haviam sido previstas pelos seus autores iniciais (Guarino e Welty, 2000). A tentativa de desenvolver normas e padrões sobre terminologia, significa que a oferta de especificações explícitas dos significados dos termos utilizados em domínios como a medicina ou controlo de tráfego aéreo, nada perde da sua urgência, mesmo quando se sabe de antemão, que o mais ambicioso objectivo de uma política comum no sentido de uma ontologia universal é improvável que seja realizado.

Observemos este exemplo sugestivo, enunciado por Guarino. As normas contabilísticas aplicadas na Europa e nos E.U.A. registam os custos em diferentes categorias de despesas e receitas dependendo das leis dos impostos e regras contabilísticas dos países envolvidos. Não tem sido possível (até agora) desenvolver um algoritmo para a conversão automática das chamadas ‘demonstração de resultados’ e ‘balanços’ entre os dois sistemas, ficando assim a sua interpretação à mercê de interpretações subjectivas de contabilistas e advogados.

Quando olhamos para exemplos destes, aparentemente descritores de problemas simples, mas que não se encontram ainda resolvidos, estamos a lidar com o tipo de tópicos para os quais a ontologia pode dar um contributo de grande impacto (comercial).

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