Ontologias

Novembro 17, 2007

Assim se vai compondo o puzzle

Filed under: Leituras & Reflexões — alexandre sousa @ 5:21 pm

Há uma amiga minha, que tem uma mesa onde chove trabalho, que usa múltiplas vezes a metáfora dos caminhos e das caminhadas. São metáforas da minha especial predilecção, até porque as ontologias obrigam a caminhadas extensas e intensas; vícios de velho maratonista, daqueles que nem o dia de descanso semanal respeitava. Confesso que gosto de caminhos longos.
Tenho dado notícias  (mesmo que o blogue não seja o meu diário) do caminho que vou fazendo – em rigor, refazendo, passados que estão 20 anos de zigs malfadados zags, e chegados a um patamar da subida, reflectimos que: – Afinal, o caminho não era por aqui.
Como diz Saramago: Iremos encontrar-nos algures por aí.
Tenho vindo a fazer leituras compulsivas de Barry Smith, Tom Gruber e de Nicola Guarino. Ao lado esquerdo da mesa, continua Kant’s Theory of Mind; significa que indisciplinadamente, tenho sempre a possibilidade de ler e reler meia página hoje, outra página e meia amanhã, enquanto se espera por um download ou se retempera a mente, pensando. Tenho imensa pena de confessar, que tudo o resto, me vai merecendo cada vez menos atenção e minúscula importância.
Dos escritos de Barry Smith retirei um título de interesse (no topo da pilha de interesses) para a minha procura de uma questão interessante, que valha a pena trocar pelas lentilhas do dia a dia miserável: “What Can Philosophers Learn from Information Systems Ontologists?”
Isto sai assim nu e cru, resultante de conversas a dois com David Chalmers, reflectindo sobre um certo alinhamento científico que os filósofos têm de realizar  esforçadamente .
Não padece de incredulidade fazer uma afirmação no sentido de consolidar a evidência do quanto tem beneficiado a(s) Lógica(s) a partir dos desenvolvimentos que fluem das Matemáticas e sobretudo das Ciências da Computação. Façamos uma pausa para olhar em volta e acertar a nossa concordância no que diz respeito aos benefícios técnicos, que facilmente se distinguem a «olho nu». São referidos os desenvolvimentos da lógica modal, lógica temporal e lógica dinâmica quântica. Mas também as redes semânticas e a concepção e desenvolvimento de modelos. Por aqui, pelos modelos, iremos caminhar um destes dias; há muito que pensar sobre uma hipotética redução da ontologia a uma questão sobre os modelos que melhor ou pior servem determinado domínio.
Barry Smith chama a atenção de um pormenor, para mim muito significativo:
“the successes and failures of information systems ontologists can first of all help to encourage existing tendencies in philosophical ontology towards opening up new domains of investigation…”
É uma espécie de puxar a corda e trazer os filósofos para o valor de que falava Russel, quando se referia à obrigação que a filosofia tem, em visar primeiramente o conhecimento. O conhecimento que a filosofia tem em vista é aquela espécie de conhecimento que confere unidade e organização sistemática a todo o domínio que pertença ao saber científico. Ou seja, há uma ambição pelo todo, mas nada impede que a filosofia ajude a resolver problemas parciais sempre que tenha êxito nas suas diligências por soluções precisas.

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1 Comentário »

  1. Boa… eu, maratonista, me confesso… Engraçado: costumo dizer que me vejo como «corredora de fundo», pois tenho pouco jeito para as corridas de 100 metros. E gosto de caminhos e caminhadas, pausas nas encruzilhadas (de preferência, com uma pousada ali à mão).
    Assumindo que é na minha mesa que chove trabalho, e que nem lhe posso chamar assim, que a maior parte das vezes é de prazeiroso trabalho que se trata, ando ás voltas com a ideia da moldura que inclua a hermenêutica. A questão da relação da filosofia com as ciências… Pois, Filosofia não é uma ciência, como a vejo. Está acima, e o conhecimento que visa, assim como o sentido, são de natureza diversa da da ciência. (agora, espero bem não estar a cavar um buraco muito fundo…). E concordo que é do tipo que confere organização e sistemática. Ao científico como ao pensamento estético. Ou ao pensamento, apenas. A ambição pelo todo não é incompatível com a visão da parte – de um modo análogo ao que uma visão de landscape da floresta não se antagoniza com um mergulho às árvores. Completam-se?!

    Comentar por LN — Novembro 17, 2007 @ 10:23 pm | Responder


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