Ontologias

Novembro 18, 2007

Ontologias aplicadas

Filed under: Perspectivas — alexandre sousa @ 10:41 am

Investigação aplicada é realização de trabalho original a fim de adquirir novos conhecimentos. É, no entanto, direccionada, principalmente, para uma finalidade ou objectivo prático específico. Assim se passa com as ontologias aplicadas aos sistemas de informação, que se referem implicitamente a uma determinada visão do Domínio em que operam. O âmbito desta ontologia aplicada (sistemas de informação) é o de fazer emergir, de uma forma clara e inequívoca, conhecimento implícito e hipóteses sobre a natureza e estrutura deste domínio. Se a ontologia como disciplina filosófica estuda o ser e a estrutura geral das entidades, a ontologia aplicada investiga e desenvolve modos de estruturar através de linguagens formais e computacionais o conhecimento que está inerente a documentos que pertencem aos sistemas de informação.

Observemos o caso das organizações, onde cada vez mais, as empresas, bem como as administrações públicas, têm necessidade de ter, quer a sua estrutura organizacional, quer todo o conhecimento sobre ela (da legislação às decisões, até aos contratos e pagamentos), de modo explícito e claro, acessível através do seu sistema informático. A maioria dos sistemas de informação usados na gestão empresarial proporciona soluções ad hoc, dificilmente reutilizáveis à mínima mudança que seja operada no modelo de negócio da organização. Sejam soluções SAP ou ORACLE, para citarmos dois dos maiores fornecedores de aplicações informáticas ‘Customer Manager Relationship’ e ‘Enterprise Resource Planning’, aparentemente de uso geral e adaptável ao ambiente organizacional, «simples, flexíveis e compreensíveis» tal como diz o marketing deste sector, uma vez transferidas que sejam as informações disponíveis nos diversos segmentos da organização, podemos constatar que os vários segmentos da organização possuem muitas dificuldades (impossibilidades) para dialogar uns com os outros de forma eficiente e muito menos automatizada. Aquilo que a ontologia aplicada pode oferecer é um modelo suficientemente geral que pode ser usado por todos os sistemas, à moda de uma língua franca e adaptável a diferentes contextos organizacionais. Note-se, que um determinado contexto não é forçado a aceitar uma certa visão da realidade, o que acontece é que passa a dispor de instrumentos que lhe são oferecidos tendo em vista a compreensão e integração de diferentes visões. Esta integração é conseguida através de um instrumento formal que permite a descrição explícita e o melhor definida possível, propriedades e relações que traduzem a estrutura de um domínio. Uma possível forma de subordinação destas propriedades e relações é através da axiomática, neste sentido uma ontologia pode ser vista como uma teoria axiomática, colocando vínculos nas ‘conexões’ do domínio, estabelecendo assim, o significado dos sinais do vocabulário. A metodologia característica da ontologia aplicada consiste na utilização preliminar dos instrumentos de análise provenientes de várias disciplinas, tais como as ciências cognitivas, linguística, metafísica analítica, apenas para mencionar alguns, acrescido da utilização da lógica formal para expressar uma visão ou posicionamento através de uma teoria axiomática. Estas teorias axiomáticas são chamadas neste âmbito disciplinar: ontologias. No entanto, como se sabe, dentro de cada disciplina coexistem posições heterogéneas, por vezes irredutíveis umas às outras e, por este motivo, é particularmente útil, tirar partido das abordagens modulares. Por outras palavras, em vez de nos situarmos na dependência de um único sistema ontológico monolítico, construímos uma série de ontologias correlacionadas por relações formais, em que cada módulo, ou qualquer ontologia, exprime uma posição particular.

Para além da distinção entre ontologia monolítica e ontologia modular, é importante considerar diferenças entre ontologias fundacionais e ontologias de domínio. As ontologias fundacionais são teorias muito gerais que nos servem para caracterizar as propriedades e relações fundamentais para qualquer tipo de análise ontológica, independentemente da especificidade da aplicação; exemplos concretos dessas propriedades e relações são:  Identidade, parte, dependência, participação, constituição, etc.

As ontologias fundacionais podem ser reutilizadas e especializadas em ontologias de domínio. Estas ontologias possuem como âmbito, a caracterização de um domínio de análise específica, identificando as primitivas teóricas melhor adaptadas para lidar com problemas para os quais estas ontologias de domínio foram construídas. Idealmente, as ontologias de domínio devem basear-se numa ontologia fundacional mostrando ou orientando a escolha da modelação.

  «perspectiva tomada livremente e escrita adaptada a partir de anotações provenientes de várias publicações do LOA – Laboratory for Applied Ontology» Link presente na coluna ao lado direito

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1 Comentário »

  1. […] vindo daqui – e continuar a ler… […]

    Pingback por de ontologias… em cinco pontos, dedilhado intermezzo « Conversamos?!… — Novembro 18, 2007 @ 4:17 pm | Responder


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