Ontologias

Dezembro 6, 2007

Vou de passeio com mais 9 livros

Filed under: Leituras & Reflexões — alexandre sousa @ 3:06 pm

 Biblioteca Marcelo Rebelo de Sousa;  Celorico de Basto;  15 x 50 livros de filosofia = 750 repositórios de conhecimento e dúvidas sobre filosofia, até porque estou a pensar, um dia destes, recuperar trabalhos sobre Lakatos, do meu tempo de vida em Glasgow.

Neste compasso de espera pelo avião para Bashkyria , procuro recuperar coisas perdidas sabendo de antemão que já não tenho todo o tempo do mundo e que o meu relógio conta de modo descendente.Tal qual fazem os miúdos quando passeiam nervosos pelos corredores do Hipermercado, na zona dos brinquedos, assim estou eu, mergulhando olhos e mãos nas lombadas e nas páginas, procurando algum alheamento do tudo a monte que são os miúdos «a sério» que assaltam a meia dúzia de computadores semeados por entre os livros e discutem jogos em cooperação/colaboração/competição. 

Vamos à lista dos livros, primeiro, porque quero ficar com memória de que existem, segundo, porque me servem de referência, depois porque o exercício ajuda(rá) a abstrair do ruído juvenil que me cerca.

[1]. Chirollet, J-C.; “Filosofia e sociedade da informação”, 2001, Piaget     [2]. Stokes, G.; “Popper: filosofia, política e método científico”, 2000, Temas e Debates     [3]. Coutinho, J.; “Filosofia do conhecimento”, 2003, Católica     [4]. Carrilho, MM; “Epistemologia: posições e críticas”, 1991, FCG     [5]. Azevedo, A.; “Da epistemologia e metodologia de Francisco Sanches”, 2006, Piaget     [6]. Branquinho, J. & Murcho, D.;“Enciclopédia de termos lógico-filosóficos”, 2001,Gradiva     [7]. Blackburn, S.; “Dicionário de filosofia”, 1997, Gradiva     [8]. Tavares, M. & Ferro, M.; “Guia do estudante de filosofia”, 1999, Presença     [9]. Amiel, A.; “A não-filosofia de Hannah Arendt”, 2003, Piaget 

Três destes livros vão debaixo do braço até à casa da Serra da Queimada e terei de os devolver até 21 de Dezembro 2007. Vamos ao trabalho. 

[6] não me diz nada directamente sobre Ontologia, mas simpaticamente refere Objecto: Adquirindo aí comummente o estatuto de noção ontológica de todas a mais inclusiva, a noção de objecto é utilizada na bibliografia lógico-filosófica – de uma maneira caracteristicamente genérica e algo imprecisa – para referir o que quer que seja ao qual PROPRIEDADES possam ser atribuídas …..

Mas, diz-me o que entende por «Compromisso Ontológico»

A noção de compromisso ontológico foi introduzida por Quine  numa série de ensaios importantes entre os quais figura o já clássico «On What There Is», 1948.

No sentido quineano do termo, uma teoria acerca de um determinado segmento da realidade ou da experiência é simplesmente uma colecção consistente de crenças ou afirmações expressas numa determinada linguagem, acerca do segmento em questão; e uma teoria será verdadeira se todas as crenças que a compõem, e logo todas as consequências lógicas dessas crenças, forem de facto verdadeiras. Os objectos com os quais uma teoria está ontologicamente comprometida são precisamente aqueles objectos cuja existência é assumida, de forma explícita ou implícita, ela teoria; tais objectos formam a ontologia (ou melhor, uma das ontologias) da teoria: um conjunto de entidades a inexistência das quais teria como consequência a falsidade da teoria.Uma das propostas mais célebres de Quine consiste num processo para determinar com que objectos, ou com que classes ou categorias de objectos, está uma dada teoria ontologicamente comprometida. Note-se que o processo não nos permite determinar o que há, ou o que existe, simpliciter.

Não nos permite determinar, por exemplo, se há ou não entidades supostamente controversas, talvez em virtude de serem abstractas, como NÚMEROS, CLASSES, PROPRIEDADES, ou PROPOSIÇÕES. O processo é relativo a uma teoria: apenas nos permite verificar o que há, ou o que existe, para uma dada teoria. E uma questão importante e substantiva é a de determinar com que objectos, e com que categorias de objectos, está ontologicamente comprometido o nosso sistema de crenças, a nossa melhor teoria total da experiência.

A essência do processo de Quine é captada pelo famoso slogan:«Ser é ser o valor de uma variável ligada.»

A sua aplicação a uma teoria pressupõe assim, de um modo crucial, que a teoria – ou a linguagem na qual a teoria está expressa – esteja logicamente regimentada; e esta exigência de regimentação é grosso modo a de que as frases ou afirmações da teoria sejam de alguma maneira traduzíveis naquilo que Quine considera ser uma Notação Canónica, uma notação adequada para acomodar qualquer disciplina cientificamente respeitável: a linguagem formal de primeira ordem.

[7] Metodologia «pg.ª 279»

O estudo geral do método nos diversos domínios particulares de investigação: ciência, história, matemática, psicologia, filosofia, ética. Obviamente, qualquer desses domínios pode ser abordado com maior ou menor êxito e de uma maneira mais ou menos inteligente. Assim, é tentador supor que, se existe uma maneira de investigar que conduz à verdade, existe uma maneira de investigar correcta, que conduz à verdade de um modo logicamente seguro. A tarefa do filósofo de uma disciplina seria assim a de revelar o seu método correcto e a de desmascarar as suas limitações. Embora esta crença esteja por detrás de muita filosofia positivista da ciência, hoje são poucos os filósofos que a subscrevem. Esta crença confia demasiado na possibilidade de uma «filosofia primeira» puramente a priori, ou seja, de um ponto de vista que está para além do ponto de vista daqueles que trabalham na disciplinas particulares em causa e a partir do qual os seus melhores resultados possam ser avaliados como bons ou maus. Esse ponto de vista apresenta-se hoje a muitos filósofos como uma fantasia. Uma tarefa mais modesta para a metodologia é a de investigar os métodos que de facto foram adoptados em áreas diferentes nas diversas fases históricas da investigação, com o objectivo não tanto de criticar, mas de sistematizar os pressupostos de um domínio de investigação particular numa determinada época. Existe ainda um papel para as disputas metodológicas locais, que decorrem numa comunidade de investigadores de um fenómeno: uma das abordagens em disputa acusa a outra de não ser correcta ou científica; mas, segundo a concepção moderna, a lógica e a filosofia não proporcionam um arsenal independente de armas para essas batalhas, que na verdade chegam mais a parecer tentativas políticas de se ascender numa disciplina.

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