Ontologias

Dezembro 9, 2007

Será que o “filósofo aplicado” possui uma identidade Metodológica?

Filed under: Perspectivas — alexandre sousa @ 1:43 pm

  Temos andado (recentemente) numa longa conversa com os livros. O que emerge nestas notas, é apenas o que me parece de maior relevo para uma conversa que, embora não esteja ainda muito elaborada, é bastante pluralista – quase me atrevia a dizer permissiva – e com um objectivo bem preciso e definido:– Fazer parte do jogo Ontologia versus Metodologia.

Para um ou dois leitores que nos acompanham – louvo a sua paciência – chamo a atenção para a história de vida: Observe-se que durante muitos anos vesti o fato-macaco da física de laboratório e do computador associado ao instrumento analítico (escrevo sem recorrer a metáforas). O computador muito antes de ser hipótese de máquina-pensante foi sempre o meu caça-dados, registador de factos e números, ousando eu a certa altura, passar a bruxo e atrever-me a redigir previsões do futuro. Foi um tempo fecundo das redes neuronais e dos algoritmos arrojados que introduzi nos ‘métodos de previsão’. 

Metodologia foi sempre uma questão técnica – para mim – e a minha identidade metodológica funde-se obrigatoriamente com o meu estatuto singular de técnico especializado.

Com a adesão ao programa openEHR, e durante a construção de uma proposta de modelo de negócio para os serviços eHealth (Pilar Baylina, incluída), ergueram-se dúvidas, não em torno da falsa discussão Qualitativos versus Quantitativos, que para nós, não significa outra coisa que não seja a existência de um grande puzzle de opções viáveis para avaliação e validação dos objectos de análise disponíveis em ciências sociais, mas sim em torno do mundo que está acima destes, desde um ponto de vista hierárquico: o que é, de facto, esse mundo real sobre o qual se debruça um determinado projecto de investigação. Que mundo é este que eu vou estudar? É aí que está a «nossa» ontologia. Que conhecimento a priori é que eu detenho sobre esse mundo, que teorias sobre ele quer ver confirmadas, que conhecimento quer descobrir, que novas teorias quer lançar.

A ontologia marca o caminho para a metodologia. O investigador possui a grande responsabilidade da concepção e desenvolvimento da metodologia a partir da identidade que lhe outorga a ontologia do domínio em que ele está especializado. Essa identidade grosso modo é semifilosófica, e vai permitir a validação da construção, a argumentação racional e todas as justificações posteriores.

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