Ontologias

Dezembro 10, 2007

Uma espiral feita de curvas e apertos

Filed under: Perspectivas — alexandre sousa @ 12:47 pm

spiralimg0171.jpg

 Nunca tinha confessado aos ventos que a espiral é a minha curva preferida. Como sou do tempo em que se estudava em lugares com «reservado o direito de admissão», com ou sem dinheiro para café e tabaco, cada um dos elementos do meu grupo tinha o seu «número» favorito, que lhe permitia um exibicionismo mais ou menos infantil. A minha arte circense era essa: a das espirais. Botada assim a metáfora, falta fechar o parágrafo: tudo aquilo com que me envolvo assume mais tarde ou mais cedo a forma da espiral. 

Regressemos ao trabalho, com ponto de partida numa afirmação que se pretende algo sintetizadora: – A concepção de um sistema de conhecimento acerca de um determinado domínio é funcionalmente correcta se estiver conforme a nossa percepção do mundo, evidenciando robustez se os princípios em que se fundamenta forem bem estabelecidos.

Conhecimento, significado e compreensão são ideias que o Homem examina dentro de áreas que ele próprio delimita, confronta, estreita ou alarga, contextualiza à luz da sua actualidade ou deixa voar livremente. As palavras-chave acima mencionadas possuem uma tal delegação de poder conotado com o ser humano que tornam (têm tornado) difícil a sua lida por parte das máquinas.

«Conhecimento» é uma crença cuja verdade consigo justificar. A minha dificuldade reside na construção de critérios capazes de proporcionarem uma medida de certeza.

O Tecnólogo foi educado para deixar a outros este tipo de preocupações. O tecnólogo nunca tem opinião acerca do bom ou mau uso que, os que se servem do «conhecimento» possam ou não fazer.

Existem campos particulares de competência, onde são construídos padrões e métodos que proporcionam os critérios que dão direito a afirmações ditas «seguras». Estes padrões e estes métodos não fazem parte dos instrumentos do tecnólogo. O papel do tecnólogo é o de providenciar meios fidedignos para que se possa realizar uma transferência de «conhecimento».

Qualquer mecanismo é aceitável como representação do conhecimento, desde que essa representação contenha a sua justificação a um nível de aceitação outorgado pelo grupo de utilizadores. Quando o nível da justificação não é fixado pelo grupo de utilizadores do conhecimento, este nível pode deslizar ao longo do tempo, conduzindo a uma degradação do conhecimento do grupo se não se realizar continuamente um ajustamento acerca do que é o domínio.Tem sido extremamente valioso o diálogo acerca das diferentes visões que são possíveis de criar quando estudamos os mecanismos que lidam com o conhecimento, sobretudo porque não é possível isolar nem afastar a compatibilidade com os elementos filosóficos de conhecimento e significado.  A designação actual de epistemologia ou teoria do conhecimento é particularmente vaga. Estudamos o conhecimento e a justificação da crença.

As grandes questões (que eu relevo) são:

– Quais as crenças que são justificadas?

– Quais as crenças que não são justificadas?

– O que podemos conhecer?

A generalidade das questões suscitadas no seio da epistemologia são transversais a todo a filosofia e à filosofia de todos os tempos e a mim, em particular, interessam-me as fontes de conhecimento 

Uma das razões pelas quais a teoria do conhecimento tem sido tão lenta na sua formação é que a natureza do conhecimento não se encaixa bem nos formatos teóricos aceites e reconhecidos. Uma teoria científica, regra geral, tenta descobrir um conjunto finito de elementos unitários e um conjunto de leis comportamentais que viabilizam a construção de modelos susceptíveis de recrear o desempenho em qualquer situação que possamos considerar.

Existe um quase entendimento de que precisamos cada vez mais, de abordagens menos orientadas para a máquina, neste nosso caminhar para entregar respostas à enormidade de questões que este campo suscita.

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1 Comentário »

  1. […] sempre interessante ler quando outros escrevem sobre uma das figuras que preferimos. Espiral, […]

    Pingback por formas e representações « Conversamos?!… — Janeiro 9, 2008 @ 12:32 am | Responder


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