Ontologias

Fevereiro 28, 2009

Terrorismo «uma questão à procura de justificação moral»?

Filed under: Perspectivas — alexandre sousa @ 2:54 pm

Os revolucionários russos (sec. XIX) chamaram-se a si mesmos «terroristas».

normal_olaTerrorismo é coisa boa ou má, não por aquilo que é feito, mas sim por QUEM é feito.

Consideremos a C.I.A. numa determinada acção que consiste em levar pessoas até Guantánamo, proporcionando-lhes interrogatório cristão, nem que seja com recurso a métodos condenados por gente de paz e de bem. Tudo quanto a C.I.A faça é para bem do Estado. Usa a violência? Ah! Mas isso é em defesa da civilização e contra a barbárie.

Os rebeldes fazem o mesmo? Ah! Isso é terrorismo.

Observemos circunstâncias, contextos, etc.

Chamemos «terrorista» a Hussein X. Façamos um compasso de espera… afinal Hussein é um combatente pela liberdade.

 

O mesmo retrato pode vir da foto de um praticante do Hezbollah que alinha na emancipação de Gaza, ou até de um Mumbai gunmen que baralha operadores de Karachi & New Delhi.

Recordemos um célebre episódio protagonizado por um jovem (à data) basco, «lobo» de pseudónimo ou sigla de correio, que foi infiltrado no grupo insurgente aí pelos anos 70. Este homem «lobo», agente trabalhador da SECED, enviou 150 dirigentes da ETA para a prisão uns, directamente para o pelotão de fuzilamento, outros. Há registo de um avanço e progresso sem par, desde o acto de fé até chegar à cúpula da ETA (Euskadi Ta Askatasuna  = em castelhano: ‘Patria Vasca y Libertad’). Para alguns partidários dos partidos de governação em Espanha, «lobo» foi um herói; para outra metade do povo basco, «lobo» é um traidor condenado à morte.

 

Sob o ponto de vista descritivo, retemos dois apontadores:

– Violência;

– Medo;

A questão conceptual em filosofia aponta para estas duas fichas. Porque estamos implicados com ONTOLOGIA diremos que terrorismo é coerção-política, religiosa, social,…

Mais do que a procura de definições que nos auxiliem e facilitem um enquadramento, aceitemos que terrorismo é o exercício da violência contra pessoas indefesas, tendo como objectivo fazer com que mudem de opinião política, religiosa ou social.

A generalidade das definições disseminadas pela literatura está concentrada no actor e nos objectivos que alcança.

Tantas vezes o combatente é ao mesmo tempo lutador pela liberdade e assumidamente terrorista pelos actos.

Desde um ponto de vista do homem comum, aos nacionalistas da ETA o único que lhes interessa é impor a todas as outras formações políticas a construção da nação basca. Assim temos o problema do poder, a visão da história ou a ética, mas também o modo de constituição da sociedade e do respectivo regime de verdade. Seguindo uma linha traçada por Nietzsche, podemos afirmar que a verdade não pode ser afastada da questão do poder; a verdade produz-se de acordo com múltiplas relações e lutas pelo poder, vai sendo construída disputa a disputa, produzindo constantes que geram efeitos nos indivíduos, nas instituições, e consequentemente num amplo domínio do saber. Cada sociedade constrói o seu regime de verdade, a sua”política geral da verdade”; o que equivale a dizer que cada sociedade produz historicamente os rituais e mecanismos que permitem aceitar o verdadeiro e repudiar o falso.

 

 

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