Ontologias

Março 2, 2009

A espiral do silêncio [2]

Filed under: Perspectivas — alexandre sousa @ 1:32 pm

 

diaboQuem alguma vez passou os olhos pelo «Príncipe & os Discursos» de Machiavelli consegue vislumbrar nuances e pinceladas entre o extremar de posições políticas – respaldadas ou não por filosofia política, porque não por filosofia da história – e a convergência na direcção de um hipotético centro, na primeira pessoa gosto mais de dizer «ponto de encontro».

El lehendakari actual do Euskadi, Juan José Ibarretxe – que eu classifico como um pragmático – disse aos seus seguidores e adversários, nesta hora de ajustamentos e realidades (01.03.09): “Hablaremos con todos para liderar este país en los próximos cuatro años”

As implicações práticas concretas da teoria política são melhor entendidas dentro do contexto da filosofia da história. Digo eu.

Diz Kant, algures na «Paz Perpétua», que a filosofia política é um empreendimento ambíguo. Diz respeito a questões de princípios no âmbito da justiça e da moralidade. Então, de modo límpido tudo isto me parece muito “Barry Obama says” e daí saltamos para a mudança, termo chave da actualidade histórica.

Hoje, primeiros dias de Março, do ano «yes, we can» o outro personagem opositor dos nacionalistas, Patxi López diz: “Me siento legitimado para liderar el cambio”

A filosofia política de Maquiavel e Hobbes (Thomas Hobbes — Moral and Political Philosophy), os dois mais famosos defensores do realismo político, pode ser entendida em termos de uma visão cínica da história, como a repetição de auto-interesse por parte dos indivíduos. A filosofia política kantiana, a sua defesa de valores liberais – não no sentido da economia política -, é compreensível em termos da sua esperançosa filosofia da história na qual a progressão é feita em direcção ao estabelecimento da paz perpétua. Chamemos a debate a filosofia política de Hegel – mais conservadora, talvez, mas ainda assim, liberal q.b. – acrescida da sua fé na modernidade, representativa de qualquer coisa de completo, tendo em vista o processo do desenvolvimento da ideia de liberdade.

Quando tenhamos realizado um exame compreensivo da evolução da humanidade, nas diversas manifestações da actividade social do homem, descobrindo fórmulas gerais aplicáveis ao processo evolutivo no seu conjunto, estaremos em presença de uma verdadeira filosofia da história.

Por outro lado, é evidente que a filosofia da história constitui uma interpretação integral de todos os fenómenos sociais. A história abrange todas as diversas actividades sociais do homem, tanto as económicas como as políticas, as religiosas, as artísticas ou as jurídicas. Por consequência, a interpretação filosófica do processo histórico no seu conjunto, forçosamente tem de influir de modo considerável na apreciação que fazemos, de cada uma das ditas actividades parciais.

Se nos propomos, como fim último, descobrir uma explicação filosófica para alguns (todos) problemas políticos, devemos começar por concretizar o nosso conceito filosófico da história.

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