Ontologias

Março 22, 2009

O encantamento das palavras

Filed under: Reflexões — alexandre sousa @ 4:50 pm

incomensurabilidade1Um dos factores críticos da vida (minha) é, seguramente, a atracção fatal que algumas (poucas) palavras provocam no meu (pequeno, diminuto, reduzido) equilíbrio emocional.
Por uma palavra deixo de comer; ou melhor: deixo de ter fome. Comer, é (para mim) um automatismo inexorável e não contrariado.
Mas, troco uma ou duas comidas por uma paixão, sobretudo se for paixão por palavras.
Depois, acresce o fascínio pela semântica.
Nunca preocupado com percursos maioritariamente ou modalmente percorridos, eis-me de novo e renovo, reinventando a minha atracção por dois marcos da obra de Thomas Kuhn:
1. [Revolução] vista como contraditório de [Equilíbrio];
2. [Incomensurabilidade] olhada sob a perspectiva de não (?!) dever comparar pêssegos com maçãs.

Escrever neste espaço de comunicação é assustadoramente libertador; porque não estou sujeito a outro conjunto de regras que não sejam as minhas.
Provavelmente, só eu sei, da pessoal dedicação desde tenra idade à literatura sobre “robots”. Desde o livro de Karel Capec até à criatividade (ingenuidade) dos textos e retextos de Isaac Asimov – aqui por trás, mesmo na estante atrás do sítio onde escrevo – tudo fui lendo e acumulando não criticamente, de modo a poder dizer: “Sim, eu sei! Quase tudo sobre esta literatura menor…”
Na senda desta fixação por “robots” dou por mim a imaginar-me sob a pele de um “robot” e iniciar uma perscrutação sensorial à volta dos textos de Thomas Kuhn. Detenho-me no «paradigma», fixo-me na «revolução», ainda, paraliso-me à frente da «incomensurabilidade».
Que se lixe o facto de “The structure of scientific revolutions” ser um dos livros mais citados de todos os tempos, que não seja mais por isso: ainda assim, não é hoje que escrevo qualquer coisa de novo.

■ Paradigma «paradigma. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009.
O termo «paradigma» vem da Linguística. A designação de paradigma passou da linguística para a gramática, designando o modelo de uma classe gramatical, por exemplo, o verbo “amar” é, habitualmente, o paradigma que serve de modelo para conjugar os verbos da primeira conjugação (terminados em -ar).
Daí, o termo paradigma passou para a linguagem em geral e entrou nas Ciências Sociais, onde tem igualmente a acepção de modelo ou matriz, de algo que serve de referência.
A sua carga semântica é forte, pois liga-se à norma, ao conjunto de regras que regem determinada situação ou grupo, destinando-se a servir de exemplo, por forma a ser imitado.
A qualidade do paradigma reside em possuir qualidades ou características que façam dele um tipo e o seu objectivo é ser reproduzido.
Etimologicamente: do Latim paradigma, do Grego paradeigma;
paradeiknynai: mostrar face-a-face ou lado-a-lado.
Também usado como EXEMPLO, PADRÃO; em especial: como excepcionalmente claro, exemplo típico ou arquétipo.
Ainda: «quadro teórico e filosófico de uma escola ou a disciplina científica no âmbito da qual, teorias, leis e generalizações e as experiências realizadas como apoio, são formuladas;
Em termos gerais: uma estrutura filosófica ou teórica de qualquer espécie;

■ Revolução
Uma revolução envolve mudanças fundamentais na estrutura da sociedade, nas suas crenças básicas e comportamentos individuais.
Em meu modesto entendimento, o núcleo argumentativo de Joseph Schumpeter, distribuído ao longo da obra “Capitalism, Socialism, and Democracy”, é redutível a este parágrafo:
«The essence of capitalism is innovation (“creative destruction”) in particular sectors. Certain standard tools of economics, such as static equilibrium and macroeconomic analysis, can therefore disguise reality and mislead scholars and students.»

■ Incomensurabilidade
O termo possui uso corrente nas matemáticas, onde implica a ausência de uma unidade comum de medida.
A discussão da incomensurabilidade de teorias científicas raramente se desenrola de acordo com o conceito matemático da incomensurabilidade. Este tipo de discussão, acantona-se, por exemplo, em torno de factores tais como: o «conteúdo das teorias», variações de significado dos termos científicos, falhas de tradução/compreensão por entre o vocabulário das teorias ou ainda, ausência de padrões comuns na apreciação das teorias.

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