Ontologias

Abril 26, 2009

Pos-Designing of Scientific Research Programmes [4]

Filed under: Reflexões — alexandre sousa @ 1:54 pm

Imaginemos que o nosso programa de investigação científica está alinhavado e que, inclusive, já foi distribuído, mesmo que sob a forma de rascunho (‘draft’ é mais chique), por todos quantos influem na distribuição da «massa». Imaginemos ainda, que o nosso centro de investigação abrange 114 pessoas, 72 das quais doutoradas, o que outorga a cada reunião de seguimento do plano estratégico do centro a qualidade de «mortal». Mais, o nosso centro © pertence vai-que-não-vai a um agrupamento (T) de oito centros de investigação, que englobam cerca de 1500 investigadores. Disse bem, não foi engano, são só mil e quinhentos investigadores, que se dedicam a coisas tais como pesca e/ou robótica. Salários pagos, religiosamente, ao mês e entradas diárias às oito horas da manhã… ou seja, quase tudo menos conversar em torno da treta que, até pode existir, não sejamos ingénuos. Moral da história: nestes tempos de anomalia & crise, a exigência de comportamento ético perante o colectivo é «quase insuportável». Por cada hora (prevista) de reunião de análise da decisão, não restam dúvidas de que devemos dedicar, no mínimo, quatro horas para estudo, previsão & adivinhação do “futuramente”, já que o “passadamente” foi peditório para o qual já demos. Os mais velhos, grupo ao qual pertenço, não ignoram que, apenas a efectiva e factual prova de conhecimento (humildade, porque não), ganha pontos no confronto com a irreverência dos mais novos. Se é que os mais novos são, de facto, irreverentes…
Imaginemos com algum realismo, que a questão da linguagem, do método e da metodologia, está a merecer o mínimo de atenção. Muitos de nós, daqueles que têm direito a sentar à mesa, por «seniority» ou messianismo, percebem a importância da terminologia, mais ainda da ontologia do tema que se discute.

Não é indiferente exigir que se distinga entre «escolha» e «decisão»: uma «escolha» é feita intuitivamente, a maior parte das vezes, sem pensar; uma «decisão» requer pensamento cuidado e deliberação.

«Risco» é outra palavra gasta, com significado diverso para pessoas diferentes. Risco quer dizer que as consequências da nossa decisão são imprevisíveis.

Por “deficiência” educativa e cultura profissional, entendo que as nossas decisões impliquem o estabelecimento de CRITÉRIOS. Um «Critério» não é mais do que a especificação do procedimento a ser usado na identificação da melhor «alternativa» em qualquer problema. No sentido que nos preocupa, qual é a mais importante questão (isolada), para onde nos interessa dirigir o esforço máximo, no âmbito deste problema? Como eleger essa questão primordial?

«Rational» racional, lógico, é um adjectivo que enxameia as nossas discussões dedicadas à análise & decisão e no entanto, tantas vezes aplicado indevidamente. Grosseiramente, uma regra de decisão racional é compatível com certos princípios da boa tomada de decisão. Aqui, o significado de «racional» é dependente do contexto. Racional é uma palavra emotiva. Sugerindo ou adjectivando uma decisão como racional, eu faço batota; subliminarmente, estou a afectar os outros que comigo realizam a operação «análise da decisão», empurrando-os para a aceitação «no bom sentido» sem posterior discussão.

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