Ontologias

Abril 27, 2009

Pos-Designing of Scientific Research Programmes [5]

Filed under: Reflexões — alexandre sousa @ 12:14 pm

Tal qual ocorre noutros centros de investigação (tecnológica) o enunciado da respectiva missão define o propósito fundamental do nosso trabalho (FC), bem como a responsabilidade assumida face às pessoas que nele estão integradas e a comunidade que nos sustenta financeira e socialmente (TCNL). Promovemos e levamos a cabo investigação aplicada num contexto internacional, de utilidade directa para as empresas públicas e privadas e de amplo benefício para a sociedade como um todo. As actividades de investigação são orientadas para aplicações e para obtenção de resultados. Sempre que os nossos programas/projectos de investigação exigem ou imponham componentes ditas de investigação básica, avançamos com convénios devidamente balizados, formalizados com entidades e instituições vocacionadas para este tipo de investigação científica.
Parte do nosso programa de trabalho consiste em efectuar investigação pré-competitiva financiada por fundos públicos. Isto constitui a base do contrato de projectos de investigação realizados para os nossos clientes.
Posto este preâmbulo, deve dizer-se sem reticências, que um programa de investigação científica é um serviço que «alguém» deve pagar. Por isso, o lado menos atractivo da equipa de investigação, ou seja, planeamento, gestão do projecto, controlo financeiro, auditoria interna, etc. é visto como «menos valioso», sob a forma de uma camisola burocrática que nada (?!) tem a ver com a muy nobre e sempre leal actividade de investigar segundo cânones cientificos a solução para um problema.
Discordamos, alto e bom som. Que não seja o físico teórico, grande promessa do “black hole” a cuidar do bom andamento da matriz do projecto, aceitamos, mas isso não invalida, bem pelo contrário, que não faça parte da equipa um profissional competente, treinado nestas lides: “qual é a velocidade a que se move o projecto?”; “quanto já gastamos?”.

Desde muitos anos atrás, sempre nos defrontamos com o insustentável antagonismo entre os partidários da perspectiva «descritiva» que nos apresentam «uma visão de como as coisas são» e os adeptos da perspectiva «normativa» ou «prescritiva» que traduzimos como um guia indicador, ou «como devemos agir em circunstâncias ideais».
Ao longo do nosso trabalho, (quase sempre) concentramo-nos no âmbito de matrizes «normativas». De modo que, na presença de um projecto de investigação, (quase sempre) consideramos a escolha racional, por si só, sem ser confundida pelas nossas limitações humanas, supondo que a nossa decisão racional tem poderes infinitos de discriminação. Se duas temperaturas são distintas, então eu, decisor, devo assumir a preferência por uma delas, apesar de, no caso concreto, não conseguir sentir a diferença.

Confesso que sou um «prático», daqueles que pensam muito, mesmo muito no problema que tenho de (ajudar a) resolver, não obstante e sempre que me deixam, começo o «ataque» a um caso interessante pelo lado do objecto. Desde logo, por uma coisa que os economistas juram respeitar, que é a «análise custo-benefício» do projecto.
Esta técnica, é provavelmente o modo de análise da decisão mais difundida entre profissionais da governação e das agências públicas. Existem variados estilos subjectivos de análise, para os quais se pede que sejam expressos sob a forma de julgamento. Em contraste, a análise custo-benefício tenta ser objectiva. Os profissionais que dominam a técnica, procuram identificar a alternativa que apresenta o custo mais efectivo – no sentido económico – tantas vezes divorciada do julgamento do decisor. A análise custo-benefício, tipicamente, é preparada para, não com, o decisor. O seu fim é proporcionar-lhe informação: nada mais do que isso.
Não devemos ignorar que há pelo menos duas «escolas» no sentido da aplicação desta técnica. Uma, digamos que é a «escola da tomada de decisão», assume explicitamente que o seu propósito é o de auxiliar o decisor. Esta abordagem, aceita e espera «inputs» do tipo julgamento, avaliação, sentença, opinião. Verdadeiramente, tem adoptado muitas das técnicas da análise da decisão dita Bayesiana.
Outra «escola», chamemos-lhe «abordagem do tipo Pareto», procura valores alternativos em termos puramente económicos, calcula os custos finais da obtenção de determinados benefícios e efeitos, enunciando também os efeitos nocivos que devem ser atribuídos para cada valor financeiro líquido calculado.

O objectivo da análise custo-benefício consiste em fornecer uma avaliação objectiva financeira de cada alternativa, «antes de». Fazer isto, tem a ver com a identificação de todos os efeitos potenciais que o projecto envolve e respectivas grandezas. Em seguida, atribuem-se custos a cada um desses efeitos em concordância com o mercado onde o projecto vai evoluir. Finalmente, comparamos o valor líquido dos benefícios das alternativas com os valores líquidos dos efeitos prejudiciais. Todos os efeitos são reduzidos a valores financeiros, no entanto devem ser vistos como intangíveis.

O exemplo com que vamos ilustrar aquilo que tem vindo a ser escrito, debruça-se em linhas muito incipientes, sobre um caso concreto que temos entre mãos e que não envolve nenhum segredo de Estado. O centro de investigação (FC) foi solicitado por um cliente Governamental para estudar soluções de combate a uma praga florestal. O problema afecta dezenas de milhares de produtores, está disseminado por 3 países, pertence (no nosso caso) à área da biologia ambiental e tem sido quantificado com prejuízos astronómicos.
Recebemos e analisamos imensa literatura descritiva do fenómeno. Independentemente, de outras considerações, podemos dizer que o método de trabalho começa pela execução de uma análise normativa que, a um nível muito simples pretende apenas guiar a nossa escolha pelo exemplo. Construímos modelos de decisão para o problema que está em estudo, descrevemos assim as alternativas a que podemos fazer face e procuramos prever as respectivas consequências. Esta fase termina com uma lista de possíveis linhas de investigação concentradas no mesmo problema, acompanhadas dos respectivos “drafts” de projecto. A tarefa está agora em representar cada alternativa por um vector de níveis de realização de uma série de critérios importantes.
Quais critérios? Resumindo brevemente, a discussão no seio do grupo de Biologia Ambiental, acrescido dos directores do centro que tem a ver com estas coisas, pode ser objecto do seguinte procedimento:

Qual é a principal consideração na escolha entre alternativas?
– Maximização custo eficácia.
Sim, mas quais são as determinantes do custo-eficácia?
– Financeiras, temporais e sociais.
Quais são os factores mais importantes? … e por aí, por aí, por aí…

custo_eficacia1
Temos aqui, neste mapa conceptual, uma análise do conceito custo-eficácia.
Ojo! Com efeito, custo-eficácia é um termo sem sentido ou seja, no vácuo, podendo-se dizer que esta discussão obriga sempre a definir o termo adequado para o respectivo contexto.
O grupo que leva a decisão a bom porto tem sempre alguma maneira de completar a análise que tem de ser feita. Primeiro, discute aprofundada e cuidadosamente onde e como podem ser identificados os factores que são importantes para a decisão. Assumimos que sempre fazemos isso. Segundo, é preciso convergir para a forma e o modo como vamos medir o nível de execução para cada uma das alternativas face aos critérios que elegemos previamente.
Há algumas zonas difíceis, nomeadamente quando se avaliam factores sociais. Tenhamos em conta que se trata muitas vezes de conseguir um método para quantificar efeitos qualitativos de uma nebulosidade asfixiante. Quase sempre a estatística dá uma primeira ajuda via «proxy variable» que se espera possa ser altamente correlacionada com o efeito, o que é comum neste tipo de trabalho.

Como resultado desta análise, cada uma das alternativas em discussão, pode ser representada por um vector de n números:

a = (a1, a2, a3, a4, a5, a6,…)

É importante perceber que esta representação é apropriada para este hipotético caso no que se refere à percepção do problema. Outros grupos, face ao mesmo problema podem gerar hierarquias e mapas conceptuais completamente diferentes.
Existe uma profusão de terminologia na literatura dedicada a este campo, sem que haja concordância quer na semântica quer no uso. No nosso trabalho (FC) seguimos a seguinte nomenclatura: as dimensões representativas das alternativas são conhecidas como atributos, ainda que algumas vezes possam ser reconhecidas como critérios.
No exemplo do mapa acima, podemos ver seis atributos afectados com valores, mais três atributos que não estão valorizados mas que o deverão ser, no decorrer do processo.
Um objectivo é uma dimensão que possui em anexo a indicação de «boa» ou «má» e que categoriza essa mesma dimensão, podendo obviamente, usar-se uma escala aplicável. Aqui, “minimizar o custo do projecto” é um objectivo, o qual indica que são preferidos os baixos custos.

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