Ontologias

Maio 30, 2009

Inovação conceptual

Filed under: Leituras & Reflexões — alexandre sousa @ 7:14 pm

Diz Nancy Nersessian no seu livro “Creating scientific concepts”, MIT 2008, que a emergência da inovação conceptual é lenta, contrariamente à imagem popular que existe da ciência. Diria eu, que continuamos tantas vezes a falar em «novas tecnologias» parte das quais já aplicamos há 30 ou mais anos. Publiquei alguns trabalhos sobre redes neuronais artificiais no final dos anos 80 e mantenho um olhar interessado nesse campo; ainda hoje, é fácil observar que por ali, está em andamento um processo orgânico, passo-a-passo, até que um dia destes sentiremos – com certeza – o tal «flash» de mudança conceptual.

Na pista da terminologia de Kuhn, respigada do “The Structure…” podemos recordar que:
– Os paradigmas podem determinar a ciência dita normal sem intervenção de regras da descoberta ou partilha de suposições. Isto justifica-se, parcialmente, porque:
1. É muito difícil descobrir as regras que balizam as tradições de uma particular ciência normal;
2. Os cientistas nunca aprendem conceitos, leis e teorias, em abstracto e por eles próprios;
a) Eles geralmente aprendem essas coisas, com e através das suas aplicações.
b) Novas teorias são pensadas em tandem com as respectivas aplicações, tudo isto no âmbito de um fenómeno concreto.
c) “O processo de aprendizagem de uma teoria depende do estudo das suas aplicações”.
d) Os problemas que os investigadores encontram ao longo da sua carreira são sempre modelados, estreitamente, com base em empreendimentos e realizações prévias.

Ainda Nancy, no seu livro:
« Those who study the records of such creations, however, offer a different characterization. Novel concepts arise from attempts to solve specific problems, using the conceptual, analytical, and material resources provided by the cognitive-social-cultural context in which they are created. They are located within “problem situations.” So, to understand creativity, it must be located not in the act but in these problem-solving processes.»

A parte da Física em que me sinto mais à vontade é indubitavelmente a Electricidade, de cuja história gosto particularmente. Quanto mais releio e aprofundo o método histórico mais me convenço que os maiores génios erram com muita facilidade logo que se afastam da matéria que dominam, ou seja, quando se aventuram pelo meio de paradigmas alheios.
Atrevo-me a situar o ponto de partida da Electricidade, em meados do século XVIII, de uma situação recreativa para verdadeiras experiências científicas, quando se percebe que a electricidade é transportável de um corpo para outro, através de um fio ou por simples aproximação. Para lá da descrição pormenorizada, começa o uso da instrumentação, da quantificação, culminando esta colecção de observações na teoria de Coulomb.
É aqui que a Electricidade deixa de ser um brinquedo.
Citando Armando Gibert: “A elaboração desta teoria (Coulomb) deve-se a uma atitude extremamente avançada quanto a critério científico. Coulomb pensou, reflectiu sobre resultados empíricos, fez algumas hipóteses e imaginou experiências que as viessem confirmar ou incriminar. Para isso teve de conceber uma delicada instalação experimental e realizar com ela medições exactas. Coulomb dominou o que ainda hoje se pode considerar como a essência do método de investigação científica experimental, 200 anos antes do nosso tempo.”
Não ficou por aí a percepção que Coulomb tinha das exigências de uma descoberta científica e das responsabilidades do cientista. Decidiu repetir as suas experiências utilizando um método totalmente diferente do anterior. Das leis aplicadas às medidas que efectuou, deduziu a confirmação dos resultados anteriormente obtidos.

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